Um paraíso apelidado de inferno

Fizemos o trajeto todo de bike: lindo e cansativo

Fizemos o trajeto todo de bike: lindo e cansativo, haha

Um mês de trabalho intenso no Quênia e finalmente chegou a hora de conhecer as belezas que a África reserva (não, não parei de trabalhar, mas comecei a aproveitar os finais de semana). Infelizmente, vim parar aqui em estação chuvosa. Vou confessar que estou adorando fugir do calor que tenho durante o ano todo em Manaus, mas os temporais fazem com que vários lugares fiquem mais perigosos. Um dos parques que eu mais queria conhecer era o Hell’s Gate, que inspirou o cenário do Rei Leão e onde também foram gravados Out Of Africa e Tomb Raider 2, mas notícias de que pessoas morreram lá durante passeios estavam nos assustando. No entanto, como a vida não é só feita de tempestades, um domingo bonito e ensolarado veio para nos ajudar a conhecer esse paraíso apelidado de inferno.

Programamos a ida uma noite antes e, ao acordar, 5 horas da manhã, parecia mesmo que estávamos sendo castigados por querer visitar a casa do senhor lá debaixo. Ainda era madrugada, veio aquele apagão amigo de sempre, ventinho que anuncia chuva e dificuldade para achar matatu indo pra cidade. Conseguimos chegar ao centro e, depois de um tempinho, encontramos ônibus seguindo para Naivasha, onde fica o parque. Passagens para outras cidades são mais caras, então procuramos um ônibus bom pra aguentar o trajeto de duas horas. Ficamos um tempo esperando e começa a esperteza dos quenianos: venderam passagens a mais e queriam nos forçar a dividir cadeira com outras pessoas. Lá vem uma mulher pro nosso lado. Eu, que já tava feliz, disse que não ia sair e a fofinha (que não era nada pequena) apenas sentou no meu colo. Estava em um dia de paz, mas o barraco veio me procurar. Um homem saltou na frente dizendo que aquilo estava errado e mostrou uma carteira de policial. Como estamos no Quênia, não deu em nada e a viagem foi super desconfortável (não, ela não ficou no meu colo o trajeto todo, mas ficamos apertadinhas juntas). Quando chegamos em Naivasha, a polícia parou o ônibus e rolou a segunda parte da briga. Como eu já estava toda dolorida da viagem mesmo, fui embora.

Oi coisinha linda <3

Oi coisinha linda ❤

Encontramos o guia que organizou o passeio e seguimos para o parque. No caminho, só coisa linda! Navaisha é uma cidade que abriga uma das maiores plantações de flores do mundo, exportando principalmente para a Europa. Nem preciso dizer o quão colorido foi o caminho, né? Além disso, tive meu primeiro contato com animais. Vi dezenas de girafas e zebras no caminho. Já decidi que na minha última semana volto lá para pegar uma zebrinha para levar para casa.

Não consigo ficar de olho aberto em foto no sol, mas vale pela paisagem

Não consigo ficar de olho aberto em foto no sol, mas vale pela paisagem

No parque, nossas bicicletas já estavam aguardando os três visitantes. Topei esse negócio de pedalar sem saber o tamanho do lugar. Sério, se vocês não tem o melhor condicionamento físico (como eu), não arrisquem. São 18km de pedalada e mais uns 10 caminhando e escalando, caso você decida ver os cânions. Agora eu entendo todos os amigos que postam mil fotos de medalha no Instagram a cada domingo, após uma corrida, e espero ainda ganhar uma por esse trajeto de ontem (fica dica, mãe), porque eu realmente achava que não ia conseguir completar. Foi muito cansativo! O sol estava queimando e minha falta de ar atacando, mas fui até o fim.

A cada parada para beber água e respirar, o guia dava uma de treinador e dizia “ignora tuas dificuldades, olha pros lados e pensa em como é lindo o lugar onde você está”. Mais do que certo. Que lindo é aquele lugar. Acredito que nem as fotos conseguem transmitir um terço da beleza que vi. No caminho de bike, pela trilha do parque, vimos montanhas lindas, centenas de animais vivendo livres ali na natureza e respiramos um ar limpo como Nairóbi nunca terá. Chegando no portão da área que liga aos cânions, um lugar super lindo para fazer picnic. Bateu saudade das amigas e do nosso picnic com vista pro Rio Negro.

Quem vê até pensa que é atleta

Quem vê até pensa que é atleta

Descemos para os cânions. Ele disse que teríamos que escalar um pouco e eu, de novo, não imaginava que ia ser tanto. Nunca tinha escalado nada dessa vida a não ser aquele muro minúsculo do Studio 5, então a tensão era maior ainda. Rezei para todos os santos, mandei abraço para todos os familiares e amigos, e só pensei nas pessoas que morreram lá recentemente. Obrigada Deus por ter me deixado escrever este post hoje e compartilhar que sobrevivi.

Hell's Gate: eu sobrevivi

Hell’s Gate: eu sobrevivi

O parque fica em área próxima ao Monte Longonot, um vulcão que entrou em erupção há bem mais de 100 anos. Só que os efeitos ainda são sentidos em Hell’s Gate, onde existem várias fontes de água fervendo. É incrível andar por ali e ver as belezas que a natureza faz, olha. É um lugar sensacional. A área dos cânions segue em formação e continuará mudando sempre devido aos efeitos da água. Queria muito ter um biquini pra ficar ali naquele paraíso só de bubuia, mas não deu. Hora de subir.

Não canso de repetir como esse lugar é lindo

Não canso de repetir como esse lugar é lindo

Montanha acima, lá vamos nós. No caminho encontramos uma tinta natural que é usada pelos Maasai para fazer suas pinturas corporais. Nosso guia nasceu e viveu em uma tribo Maasai e usou todos os seus conhecidos pra fazer uma pintura em mim (mais turista impossível, eu sei). Conhecemos também uma senhora da tribo. Ainda tentei praticar meu swahili com ela, mas a bichinha só falava o dialeto deles.

Com a senhorinha da tribo

Com a senhorinha da tribo

Aqui na África o pessoal não é nada pontual, o atendimento é ruim, entre outros problemas. Infelizmente a justificativa deles sempre é “This is Africa” (ou “TIA”), frase que já ouvimos em muitas situações ruins e que, pra mim, não justifica. Subimos a montanha e não me contive. Aquilo sim é África. Vista sensacional. Doeu o coração pensar que logo logo terei que deixar esse lugar. Se visitarem o Quênia, não deixem de ir a Hell’s Gate. O passeio é meio caro para os padrões do Quênia (gastei uns 3 mil shillings lá, ou seja, uns 30 dólares), mas valeu cada centavo.

Sou besta e dei um jeito de tirar uma foto tentando imitar o Simba

Sou besta e dei um jeito de tirar uma foto tentando imitar o Simba

De quebra, como o guia era bacana, ainda nos levou para conhecer o Lake Navaisha, um lago lindo da cidade onde vivem vários hipopótamos. Muito bom navegar no fim da tarde ali. Vimos muitas aves também e centenas voaram juntas em cima do nosso barco em uma hora. Queria ter filmado de tão lindo que foi. Essa parte custou 1500 Ksh, divididos por dois só que iam no barquinho. O valor original é 3 mil shillings, mas dá pra pechinchar em tudo aqui.

Oi hipopótamos <3

Oi hipopótamos ❤

Queria muito poder colocar vinte mil fotos aqui pra mostrar pra vocês como o lugar é lindo, mas não dá então fiz um set no Flickr com algumas imagens da minha câmera. Levei a lomo para passear pela África pela primeira vez também e tô super ansiosa para revelar o filme e ver como ficaram as fotos. Enquanto não revelo as da analógica, olhem que lindeza é aqui e se preparem para mais belezas desse continente maravilhoso que devo conhecer pelos próximos dias.

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3 comentários sobre “Um paraíso apelidado de inferno

  1. Marina!!! virei teu fã!

    os textos são ótimos. Você fez com que eu me sentisse vivendo tudo isso ai, apesar de saber que minha imaginação não deve chegar aos pés da realidade.

    Boas aventuras,
    Ajuda essa galera ai que eu vou contribuir daqui, afinal é mais barato que um mc donald´s.

    e continua escrevendo.

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